quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Amor, fé e esperança - trecho do livro O Tambor

 Já vem! Já vem! Quem vem? O Menino Jesus, o Salvador? Ou era o celestial homem do gás, com o gasômetro fazendo tique-tique sob a braço? E ele disse: Eu sou o Salvador deste mundo, sem mim não podeis cozinhar. E aceitou o diálogo, ofereceu uma tarifa favorável, abriu os registrozinhos de gás recém-polidos e deixou sair o Espírito Santo, para que se pudesse assar a pomba. E distribuiu nozes e amêndoas que, ao se partirem ali mesmo, desprendiam também emanações: do Espírito e do gás, a fim de que os crédulos pudessem ver sem dificuldade, entre o ar espesso e azulado, em todos os empregados da companhia e à porta dos grandes armazéns, Papais Noéis e Meninos Jesus de todos os preços e tamanhos. E assim acreditavam na companhia de gás, sem a qual não há salvação possível, e que, com a pulsação ascendente e descendente dos gasômetros, simbolizava o destino e organizava a preços módicos um Advento que fazia crer a muitos crédulos que o Natal viria. Mas não sobreviveriam ao cansaço das festas senão aqueles que não haviam conseguido uma provisão de amêndoas e de nozes suficiente, embora todos tivessem achado que as havia de sobra.

Mas logo que a fé em Papai Noel se revelou fé no homem do gás, recorreram, sem respeitar a sequência da Epístola aos Coríntios, ao amor. Está escrito: Eu te amo, oh, sim, te amo! Amas a ti também? E, dize-me: Amas-me tu também, amas-me verdadeiramente? Eu também me amo. E de puro amor chamavam-se uns aos outros de rabanetes, amavam os rabanetes, mordiscavam-se e, de puro amor, um rabanete mordia o rabanete do outro. E contavam uns aos outros exemplos de maravilhosos amores celestiais, embora também terrenos, entre rabanetes, e pouco antes de morder sussurravam-se mutuamente, alegre, famélica e categoricamente: Dize-me, rabanete: tu me amas? Eu também me amo.

Mas, depois que por puro amor tinham arrancado a mordidas os rabanetes e a crença no homem do gás tinha se convertido em religião do Estado, já não restava no armazém, após a fé e o amor, que já tinham tido sua vez, senão o terceiro artigo invendável da Epístola aos Coríntios: a esperança. E enquanto continuavam a roer os rabanetes, as nozes e as amêndoas, esperavam que aquilo terminasse logo, para poder recomeçar a esperar ou para continuar esperando, depois da música final ou então durante a música final que logo acabaria de se acabar. Ainda não sabiam bem o que ia acabar. Esperavam apenas que acabasse logo, que acabasse amanhã, tomara que hoje ainda não, pois que seria deles se aquilo acabasse de repente? E quando aquilo se acabou de verdade, começaram em seguida a fazer do final um novo princípio cheio de esperança, porque, cá entre nós, o final é sempre um princípio, e há esperanças e todo final, mesmo no mais definitivo dos finais. Assim está escrito. Enquanto o homem esperar, voltará sempre a começar a esperar o final cheio de esperanças.

Eu, contudo, não sei. Não sei, por exemplo, quem se esconde hoje em dia sob as barbas do Papai Noel, não sei o que o Diabo leva em seu alforje, não sei como se abrem e fecham as chaves do gás; pois volta a se difundir um ar de Advento, ou continua se difundindo ainda, não sei, talvez a título de ensaio não sei para quem estarão ensaiando, não sei se posso crer, oxalá possa, que limpem com amor as chaves do gás para que cantem não sei em que manhã, não sei em que tarde, não sei se as horas do dia têm algo a ver com isso; porque o amor não tem hora, e a esperança não tem fim, e a Fé não tem limites; só o saber e a ignorância estão ligadas ao espaço e ao tempo, e terminam a maioria das vezes a repetir: eu não sei, oh, não sei, por exemplo, com que eles enchem as tripas, que intestinos são necessários para preenchê-las, não sei com quê, por mais legíveis que sejam os preços do recheio, fino ou grosseiro; não sei o que está compreendido no preço, não sei com que recheiam os dicionários, assim como as tripas; não sei de quem é a carne nem de quem é a linguagem: as palavras significam, os açougueiros calam, eu corto vidros, você abre os livros, eu leio aquilo de que gosto, você não sabe do que gosta: fatias de lingüiça e citações de tripas e livros - e nunca chegaremos a saber quem teve de calar, quem teve de emudecer para que as tripas pudessem se encher e os livros pudessem falar, livros embutidos, apertados, de letra miúda, não sei, mas suspeito: são os mesmos açougueiros que enchem os dicionários e as tripas com linguagem e com lingüiça; não há nenhum Paulo, o homem se chamava Saulo, e, como Saulo, falou à gente de Corinto de algumas lingüiça prodigiosas, que chamou de fé, esperança e amor, e elogiou-as dizendo que eram de fácil digestão, e ainda hoje, sob algumas das formas sempre mutantes de Saulo, tenta impingi-las a nós.

Quanto a mim, arrebataram-me o vendedor de brinquedos e, com ele, quiseram eliminar do mundo os brinquedos.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tocava trompete maravilhosamente.

Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e vendia tambores de lata esmaltados de vermelho e branco.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tinha quatro gatos, um dos quais se chamava Bismarck.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e dependia do vendedor de brinquedos.

Era uma vez um músico que se chamava Laubschad e era membro da Sociedade Protetora dos Animais.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e ao qual arrebataram o seu vendedor de brinquedos.

Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e levou consigo todos os brinquedos do mundo.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e, se não está morto, continua vivendo hoje e tocando maravilhosamente o seu trompete.

178-180

[link de todos os trechos do livro]

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Corrida com arco-íris mas o joelho...

3,5km
14 de outubro de 2020

Geralmente eu escrevo aqui sobre como foi no mesmo dia da corrida.

Mas foi um pouco triste quando senti o meu joelho, por algumas vezes, interrompendo abruptamente a corrida sem mesmo conseguir diminuir a velocidade para não me machucar. Mas eu já tinha me machucado. E não foi por causa da corrida.

Um dia antes, eu estava fazendo funcional em casa e foi em um dos exercícios que eu me desequilibrei e forcei o joelho. Deadlift ou peso morto - aliás, um exercício muito bom. Doeu na hora, escutei algo parecido com uma maçã sendo abocanhada e senti meu joelho como se fosse uma maçã podre. 

Mas depois tudo normal. Continuei meus exercícios e tudo certo. A dor tinha passado. Pensei que não teria sido nada demais.

No dia seguinte eu fui correr. E o dia estava incrivelmente bonito. Havia chovido e o céu estava tão limpo que era de um azul vívido e ar puro. Ainda com algumas nuvens carregadas e um belo de um arco-íris no horizonte. Eu encarei aquele arco-íris até praticamente desaparecer. E eu pensei que o dia seria perfeito a partir dali.

Parei de repente a poucos metros com uma dor aguda no joelho direito. Alguém gritou "não pára de repente não", ou algo do tipo. Realmente, se eu pudesse eu não teria sequer parado. Mas a dor foi tamanha que não tive como escolher parar diminuindo a marcha. 

Dei uma alongada e voltei a correr. Mas a dor continuava. Eu insisti para continuar e fui em frente até onde eu teria ido na última corrida. E cheguei lá com muito esforço, muita dor e resistência. Parei de novo por causa da dor e alonguei novamente. Tentei voltar correndo e não consegui. Voltei quase não conseguindo caminhar. A dor não me deixava. E meus olhos se encheram de lágrimas, mas pensei: "não é o fim do mundo, ninguém morreu, tenha dó, é só uma dor".

Voltei triste. Eu poderia ter me superado. No dia seguinte, já também não sentia mais dor. Dei uns dias de descanso e fui correr novamente mas doeu da mesma forma, só que não dava mais pra continuar assim. Estou parada, com saudade de correr e de ortopedista marcado. Provavelmente farei uma ressonância magnética e fisioterapia.

Trilha:
Elvis Presley

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

um dia lindo :)

4,2km
05 de outubro de 2020

Um dia lindo.

Vi o Pinscher que anda de lado de novo. Eu acho que é uma fêmea. Dessa vez estava usando uma roupinha estilo flanela, xadrez, vermelha.

Eu acho que eu consegui controlar mais a minha respiração. Tou ficando muito boa nisso. Eu quero pesquisar mais sobre essa questão da respiração e entender exatamente o que acontece no nosso corpo e como isso pode beneficiar nos exercícios. Consegui fazer todo o percurso sem parar. Acho que falta pouco para fazer os 5km. Foi perto. Acho que hoje mesmo eu poderia ter feito.

O joelho estava doendo sim, mas em boa parte do percurso eu não senti tanto. Acho que senti mais no começo.

Fora isso, o dia estava muito bonito. Tinha muita gente para uma segunda-feira.

Relembrando meus objetivos:

Rumo aos 10km:
goal 1 - 5km ininterrúptos;
goal 2 - 10km com 2 paradas, no máximo;
goal 3 - 10km ininterrúptos.

Trilha da corrida:
Ramones

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

não sei se poderei chegar aos 10 quilômetros um dia


3,6km (2,6+1)
30 de setembro de 2020, às 16h

Já saí de casa na intenção de me superar. Quero aumentar cada vez mais a minha resistência respiratória e física para um dia correr 10 quilômetros - meu objetivo final. Foi desafiador como sempre. Mas estou um pouco receosa. Explico:

Há um ano eu recebi o diagnóstico do meu joelho esquerdo. Depois de uma corrida, eu senti o meu joelho e achei que fosse uma dor normal, qualquer, muscular e que iria passar em dois, três dias. Porém a dor não passava. Eu passei alguns meses sem correr e finalmente procurei um profissional para saber o que fazer e voltar às corridas.

Tive de fazer fisioterapia durante um tempo, cortei alguns exercícios que eu nunca mais poderei fazer, fiz exercícios de musculação para reforçar a musculatura, alongamento que eu devo fazer todos os dias para sempre e só depois de alguns meses é que eu pude voltar a correr. 

Super normal sentir o meu joelho durante e depois da corrida. E sempre faço alongamento quando eu chego em casa. Mas para ser sincera comigo mesma, não sei se poderei chegar aos 10 quilômetros um dia.

Talvez (e eu espero que sim), a dor seja mais notável porque não tenho ido à academia fazer o fortalecimento dos músculos. E obviamente que diminuí muito as atividades fisicas. Tenho feito em casa (praticamente todos os dias), exercícios de alta intensidade. Porém tenho me focado em definir a área superior. Até porque eu tenho muito medo de fazer certas atividades que poderão machucar ainda mais o joelho.

Não vou tirar conclusões precipitadas em relação à minha capacidade de atingir meu objetivo, porque toda corrida para mim é um grande desafio onde eu sempre me supero. Às vezes eu tenho medo de não aguentar, de vacilar as pernas ou até de passar mal por falta de oxigênio, mas eu sempre me supero e me surpreendo com o quanto pude esticar a minha resistência (principalmente respiratória).

Eu já falei aqui que a corrida para mim, assim como nadar no mar, é uma forma de meditação. Eu me sinto completamente renovada depois de uma corrida. E mesmo durante a corrida eu me sinto muito plena. Tenho certeza de que é um grande privilégio meu poder correr na orla de Olinda. Não por ser Olinda, mas porque eu posso ver as cores do pôr do sol no céu, o horizonte do mar, às vezes a lua, os pescadores, os barcos, os kite surfers, as aves planando no ar ou aquelas que estão planando sobre o mar para caçar um peixe, as ondas que se quebram com violência, os cachorros, as crianças brincando, os idosos ativos e tantas outras coisas incríveis da vida. Não tem coisa melhor do que se sentir em paz e pleno.

Hoje foi um dia particularmente especial porque eu revi dois amigos. E foi tão inesperado. Parece que o Universo tramou para que eu fosse uma pessoa mais feliz hoje. Porque eu também recebi uma proposta de ensinar inglês e vou ensinar o pouco que eu sei para duas grandes amigas. Além disso tudo, hoje é o aniversário de uma amiga do coração. Nos conhecemos há mais de uma década já. E o meu namorado está resolvendo suas coisas, finalmente.

O dia foi corrido duplamente. Mas eu não pude estar mais feliz. Tem sido difícil essa quarentena por vários motivos. Às vezes nem é culpa da quarentena, mas ela está inserida no período.

Que todas as corridas sejam uma forma de me sentir mais feliz, plena e inspirada!

Trilha:
Blind Melon - Blind Melon (1992) 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

fui até a Praia Popular Filmada por Regina Casé e voltei

 


3,2km
17 de setembro de 2020, às 16h

Aparentemente eu fui até a Praia Popular Filmada por Regina Casé e voltei. [não sabia nem que Regina Casé tinha passado por aqui]

Dessa vez consegui fazer a minha média de quilometragem (o que eu fazia antes da quarentena). Saí de casa umas 16h dessa vez e agora acredito que este seja o melhor horário. Provavelmente não é um horário bom para encontrar uma orla com poucas pessoas. Mas eu gosto desse horário. À noite é péssimo porque não tem iluminação que preste nessa cidade. E pela manhã bem cedinho estou dormindo, muito obrigada.

Estamos saindo de quarto minguante e entrando na lua nova. Hoje a orla estava repleta de pescadores. O mar estava para peixe pelo visto, e bastante cheio - invadindo mais uma vez a pista. Mas já vi pior. Porém de fato a maré estava alta nesse horário e eu nunca tinha visto tantos pescadores na orla como vi hoje.

Mas estou muito realizada porque dessa vez não parei a corrida para alongar minha perna. E sim, meu joelho doeu como sempre.

Na ida, eu fui devagar como sempre. Estranhamente eu senti o joelho normal e comecei a pensar: "Pronto, agora são os dois!". Mas tentei dar umas esticadas na perna sem comprometer a corrida. Não imaginem como é isso e também acho perigoso fazer isso durante a corrida. Maaaaas eu fiz. Acho que deu certo.

De novo, estou atualmente focando na distância e não no tempo, então fui devagar mesmo.

Na volta, vento contrário. Ou seja, na ida o vento estava ao meu favor e não sabia. Mas o vento contrário torna a corrida mais desafiadora. Deu a impressão que eu estava correndo ainda mais devagar, mas acho que mantive o passo. No último minuto, no entanto, eu dei uma acelerada como eu sempre fazia nas corridas pré-quarentena. Muito feliz por isso. Ainda consegui ir um pouco mais além do meu ponto de partida, porém não contei essa distância (até porque ela é mínima e não faz a menor diferença).

Sobre as dores: senti bem menos que as duas corridas anteriores. O mais estranho mesmo foi a dor no joelho normal no começo da corrida. Mas acho que é normal pois não fiz alongamento e já tem dois dias que não faço alongamento, e nem me aqueci propriamente.

Hoje eu tive de tomar cuidado pra não atropelar um Pinscher que andava de lado. Ele estava usando uma roupa que dizia "I love my Daddy". Ou algo do tipo. Se cada piscada de olho fosse uma fotografia... Vocês veriam paisagens lindas. Eu gosto de apreciar o horizonte enquanto eu corro. Por isso gosto tanto desse horário.

Pensei agora naquele google glasses que tem uma câmera no meio. Mas aquele óculos é feio, caro e não tem grau. Não sei nem se existe mais. Vou pesquisar...

Queria pontuar uma coisa: eu corro com mp3 e nenhuma tecnologia ou app que eu possa fazer a rota, distância, tempo, batimentos ou calorias. Quando eu tiver condições, terei um relógio que me dê essas informações. Mas por enquanto isso não me é importante.

Trilha sonora:
Jack Johnson (in general)

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

mesma rota

 


1,4km + 1,4km = 2,8km
09.09.20

Hoje foi exatamente a mesma coisa que a corrida anterior.

Porém senti mais dor (principalmente na panturrilha). Não sei se tem a ver com o exercício de agachamento lateral que eu fiz na noite anterior (provavelmente sim). Mas parei pra alongar e deu uma aliviada.

Eu fiz essa rota mais ou menos em 25 minutos. Fui bastante devagar para poder respirar bem, oxigenar e aguentar a dor.

[Não vou entrar no mesmo assunto sobre pessoas que usam perfume forte pra correr ou caminhar. De nada.]

Fui depois do almoço de novo. Esperei mais ou menos 1h30 pra fazer a digestão. Pra mim foi ok. Mas acho que próxima vez vou tentar almoçar cedo e fazer um lanche leve antes da corrida.

Resolvi dá uma meditada olhando as ondas do mar e o horizonte. É tão bom. Torna o dia mais especial.

Trilha da corrida:
Van Halen - 1984 (album)

domingo, 30 de agosto de 2020

"a gente vai traçando metas durante o caminho e persiste nelas" - 5 meses sem correr e aglomeração na orla

 

*Eu pesquisei a rota depois, então eu não sei em quanto tempo eu fiz essa corrida,

1,4km + 1,4km = 2,8km
29.08.20

Minha última corrida foi dia 18 de março e só agora voltei a correr - cinco meses depois.

Foi como se fosse uma primeira vez. Apesar de não estar parada nos exercícios, correr requer outras resistências. Eu estava com muita saudade de correr mas não senti à vontade por conta da pandemia. Tive de ir a reuniões e quebrar o isolamento. Obviamente tomando todos os cuidados possíveis. Então me senti mais à vontade de fazer uma atividade ao ar livre. Infelizmente escolhi um dia ruim.

Sábado não é um dos melhores dias da semana em tempos de quarentena. A orla de Olinda estava cheia de gente. Tinha policiamento no local, muita gente sem máscara (e em grupo). E sim, muita aglomeração - palavra que eu nunca tinha usado com tanta frequência.

Eu estava sem máscara. Meu único objetivo era correr e tentar me manter longe das pessoas ao redor. Mas escolhi um dia ruim. Eu sempre corro mais ou menos no mesmo horário para correr - isso porque eu amo ver a paisagem rosada e o mar azul reluzente. Me sinto extremamente bem. É uma espécie de meditação pra mim. [Acho que já falei sobre isso].

Claramente eu estava fora de forma. A maré estava alta e, de onde eu comecei, a areia molhada estava invadindo a pista de cooper. Eu estava para caminhar para o lado oposto e voltar correndo. Mas vendo a areia, decidi seguir o caminho porque por ali não tinha esse tipo de problema de areia e água invadindo a pista.

Comecei a correr assim que cheguei na praia do quartel porque tinha muita gente e com certeza muitos maconheiros. Uma bela desculpa para dar partida.

Eu não tinha esperado tempo suficiente para digerir o almoço e estava pesada, arrotei algumas vezes e já saí de casa com sede. Ou seja, além de estar fora de forma, fiz tudo errado. Também não aqueci o suficiente, apesar de já ser uma caminhada ir de casa até a orla.

Parecia um dia normal sem pandemia. O que não me importei tanto, sinceramente. Meus únicos poréns de correr na orla é o cheiro de maconha e gente que usa perfume muito forte. Eu não consigo respirar quando sinto esses cheiros - me cansa demais.

Por falar nisso, me cansei rápido. Mas é aquilo, a gente vai traçando metas durante o caminho e persiste nelas. Então, assim que cheguei lá, tive de parar. Estava sentindo dores e muito cansaço. Achei que não fosse aguentar o caminho de volta. Um pouco antes de chegar na área do quartel, pensei que se persistisse demais, eu iria acabar desmaiando ou minhas pernas iriam vacilar até eu cair. Mas diminuí a velocidade e consegui fazer o mesmo percurso da ida, na volta.

Falando em velocidade, eu fui muito mais lenta comparado às corridas anteriores. Eu tive de respeitar o tempo que fiquei parada. Não tinha como forçar. Uma coisa que aprendi é ter mais paciência.

O resultado foi esse: fiz o mesmo percurso ida e volta - 1,4km. Total de 2,8km.

Músicas durante a caminhada e corrida escutei:
Alice in Chains:
[vai abrir tudo numa nova janela]
Don't Follow
I Stay Away (Caracas, eu nunca tinha visto o clipe. Massa demais, literalmente)
Love, Hate, Love
Them Bones
Man in the Box
No Excuses
Down in a Hole

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre os contextos (GTD)



Se você ainda não conhece o método GTD, deixo minha recomendação para o conteúdo da Thaís Godinho - a musa brasileira do GTD e a leitura do livro “A Arte de Fazer Acontecer” (Getting Things Done), por David Allen.

Basicamente, nós temos muitas atividades para fazer e essas atividades têm contexto.
Por exemplo, você faz uma lista de coisas para fazer: lavar roupas, mandar um email importante para empresa, passar informações sobre a reunião para o colega de trabalho e deixar a pasta com ele, consertar o relógio do pai.

Perceba que você não poderá fazer todas essas atividades em um só lugar ou situação. Você vai lavar roupas na sua casa, você irá mandar o email se você tiver acesso ao computador, você só poderá fazer a terceira opção quando estiver no trabalho e você pode consertar o relógio quando estiver na rua ou no shopping.

Ou seja, cada atividade tem um contexto diferente.

Quando você tem acesso ao computador e estiver utilizando ele, você pode ir diretamente ao contexto “computador” e fazer todas as atividades relacionadas a esse contexto. O mesmo acontece com “trabalho”, “casa”, “rua’, “shopping” e etc.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Acordei com um passarinho na sala tentando achar uma saída

Saíra amarela

Já faz um tempo de quarentena.

Domingo pela manhã (umas 6h), acordei com um passarinho que entrou pela janela da casa e fui imediatamente ajudar o pássaro a sair. Eu peguei o pássaro com as minhas mãos. O pássaro escapou das minhas mãos e mais uma vez lutava para encontrar uma saída.

Consegui segurá-lo novamente. Era um passarinho lindo. Vi de perto. Era pequeno, amarelo com o rosto preto e asas azuis. Estava muito cansado, respirando ofegante, o bico aberto e vi até a língua. Alisei a cabeça e o tórax com a intenção de acalmá-lo. Ele era tão macio e delicado. Depois estendi meu braço para fora da janela com a mão aberta e ele continuou um tempo parado e senti suas patas segurando-se no meu dedo. E ele voou para baixo e depois deu o impulso e pousou na árvore à frente.

Esse momento eu não esquecerei.

Tive a sensação de que eu já tinha segurado um pássaro antes. Talvez sim. Mas aquele momento foi único. Foi mágico.

Eu pesquisei na internet para saber qual espécie era e acredito que se tratava de uma saíra amarela.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

História das Mulheres no Motociclismo

https://womenwhoride.tumblr.com/

No começo do motociclismo - no final do século 19 e começo do século 20 quando motos eram um pouco mais que bicicletas com motor embutido - norte-americanos compravam essas máquinas para transporte, não recreação. Famílias que não tinham condições financeiras para comprar carros, podiam ter motocicletas, então não era tão incomum ver mulheres pilotando.

Mas cmo a linha de produção da Ford, o preço do carro cai para metade em 1915 e em 1927 o preço da Ford quase se iguala a uma Harley-Davidson, mais carros vendidos que motocicletas.

Desde lá, motos se tornaram escolhas para recreação, principalmente por homens. Apesar disso, pilotos mulheres pioneiras incluem Augusta e Adeline Van Buren, Theresa Wallach e Bessie Stringfield - fizeram suas marcas no motociclismo mundial.

As irmãs Van Buren estavam entre as primeiras a rodarem costa à costa, viajando em uma Indian Power Plus em 1916. Elas também foram as primeiras a rodarem em veículos motorizados até o topo do Pikes Peak, realizando esse feito no mesmo ano.

Nos anos 30 e 40, Theresa Wallach da Inglaterra se tornou a mais conhecida por corridas e por pilotar longas distâncias, além de servir como piloto de despacho para o exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial.

A afro-americana Bessie Stringfield fez 8 viagens solo de travessia nos anos 30 e 40, montando sua motocicleta na Deep South em um momento em que era muito arriscado fazê-la.

Enquanto isso, Dot Robinson rodou e correu nos anos 30, 40 e 50. Na verdade, ela é creditada como uma porta de entrada para mulheres em competições organizadas de competição.

Após a Segunda Guerra Mundial, um número crescente de mulheres se envolveu no motociclismo. Margaret Wilson foi uma delas: registrou mais de 550.000 milhas rodadas em motos, demonstrando que mulheres são tão apaixonadas pelo esporte quanto homens.

Na era moderna, Debbie Evans é considerada uma das mulheres mais famosas de Hollywood. Ela também foi pioneira na competição de testes observados, um esporte que exige perícia em um labirinto estreito, marcado e sinuoso de um percurso. Ela competiu com sucesso em testes norte-americanos no final dos anos 70.

Estas são mulheres que fizeram contribuições significativas para o motociclismo e que ganharam lugares no Hall da Fama da AMA Motorcycle no campus da AMA em Pickerington, Ohio. Há outras mulheres que fizeram suas marcas, como a campeã mundial de velocidade terrestre Ashley Fiolek, Leslie Porterfield, campeã mundial de motocross, que pode, um dia, ganhar seus próprios lugares naquele salão sagrado.

Fiolek começou a andar de miniciclos de 50cc aos 7 anos e iniciou sua carreira de piloto em 2008. Em seus cinco anos como profissional, ela ganhou quatro Campeonatos Nacionais Femininos da AMA e duas medalhas de Ouro nos ESPN X Games. Ela também é a primeira mulher a montar uma equipe profissional de corrida de fábrica. O que torna sua história especialmente notável é que ela é profundamente surda.

Porterfield detém três recordes de velocidade terrestre e é membro do clube Bonneville de 200 milhas por hora. Ela foi nomeada a AMA Racing Rider do Ano de 2008.

Há mais mulheres no motociclismo do que nunca. Mas toda mulher, desde a primeira vez que escorregou no assento de uma motocicleta até os Fioleks e Porterfields de hoje, contribuiu para o mundo do motociclismo.

https://womenwhoride.tumblr.com/

https://www.americanmotorcyclist.com/Story/women-motorcycling-history
Fonte: AMA - American Motorcyclist Associaton

Fiz alguns cadernos com esse tema e você pode conferir no instagram @patylavirpage

sábado, 21 de março de 2020

uma última corrida antes do isolamento - #coronavírus #quarentena


6km
18 de março de 2020

Eu amo correr, mas não faço isso com tanta frequência.

Passei quase uma semana sem treinar qualquer coisa porque não estava me sentindo muito bem. Uma espécie de azia. Além de duas eventualidades.

Então aproveitei essa semana como pude. A notícia do corona vírus foi se intensificando. A academia e o CT fecharam as portas.

Então na quarta-feira decidi fazer uma corrida antes de me isolar completamente. Confesso que no começo achava tudo isso desnecessário. Mas tratando-se de um vírus, pode ser muito difícil de controlar. Eu não tenho medo de pegar, eu tenho medo de passar para outras pessoas.

O movimento na orla até que estava intenso. Não sei se todo mundo pensou o mesmo que eu, mas tinha bastante gente praticando exercícios. Até alguns bares estavam abertos. Agora acho que não estão mais.

Não planejei com antecedência como ia ser. Na verdade eu nunca determino quantos quilômetros eu quero fazer. Às vezes eu até tento ter um objetivo em mente, mas eu não tenho como saber exatamente a quilometragem. Não ando com celular na rua. Geralmente eu só quero me superar mesmo.

A primeira corrida do ano foi a primeira corrida depois de meses, então não criei muitas expectativas. Mas dessa vez eu estava com disposição.

Um dia, eu quero ter resistência para 10km ininterrúptos. Mas por enquanto meu objetivo é chegar aos 5km muito bem, obrigada.

Comecei com uma pequena caminhada procurando um ponto de referência fácil para dar a minha partida. Escolhi o album Dirty do Alice in Chains para começar minha jornada. Depois que a primeira música do álbum terminou, o mp3 se desligou. Ainda correndo, coloquei de novo, agora na segunda faixa e o mp3 se desligou de novo depois. Então fui obrigada a fazer a corrida com um headphone sem escutar música alguma na porra do mp3.

Durante a corrida, já estava subconscientemente acordado o meu ponto de destino. Mas eu não fazia ideia se ia conseguir chegar até lá. E eu só ficava pensando: "Me alimentei tão mal que não sei se vou conseguir ter energia pra isso. Só espero não ter um treco. Que ao menos eu consiga chegar na metade do caminho para não passar vexame". Nesse caso, auto-vexame.

Mas deu tudo certo. Sempre é a mesma coisa: a cada passo, ofegante, a incerteza. Eu diminuí a velocidade logo no começo. Eu já corri mais rápido. Mas se eu não tivesse diminuído, eu não teria conseguido chegar onde queria. Agora lembrei que, bem quando eu era uma iniciante 101 na corrida, meu treinador de funcional da academia, Bruno, havia me dito que se eu diminuísse a velocidade da corrida, eu ia conseguir controlar mais a respiração e aumentar a distância.

Eu gostaria de ser um pouco mais rápida. Mas, por enquanto, eu só me importo em ter a distância como parâmetro.

Então, houveram momentos durante a ida que eu controlava muito bem a respiração e praticamente não sentia o esforço. Porém, em outros momentos, eu implorava para dar uma parada e tomar um ar fresco. Mas é aquilo né: foco, objetivo, foco, objetivo, superação.... A ambição vai mais longe. Eu acho.

Os cachorrinhos são os melhores momentos da corrida. A minha vista parece ter um ímã pra olhar os cachorrinhos que passeiam ou descansam na orla. De resto, eu só olho para frente para me desviar das pessoas. Ficar atenta para não colidir com ninguém, prever situações para me desviar com antecedência, dar espaço para outro corredor ou ciclista sem noção fora da faixa dele (dá vontade de empurrar e derrubar essas desgraças).

Eu saí um pouco tarde de casa. Ainda estava um pouco claro quando saí de casa, mas em pouco tempo escureceu. Nada de reflexos bonitos do pôr do sol. Na verdade, esse é um grande motivo para eu sair para correr. E me inspira tanto que dá vontade de dar uma meditada.

Então, na ida eu fiz 3,4km (segundo informações do google maps). Eu parei porque tive de parar. Meu tornozelo estava doendo, senti o início de um calo, muito ofegante (obviamente), joelho doeu um pouquinho. Então parei e voltei com uma pequena caminhada.

[Já que tinha parado, vamos ver se o mp3 volta a funcionar. Aí quando ligo, ao invés de estar na pasta do Alice in Chains, estava na pasta que eu tinha ouvido em casa horas antes - Amy Winehouse. Então descobri que meu mp3 não estava funcionando para Alice in Chains, mas estava para Amy Winehouse].

Dessa vez com música no headphone, já recuperada 30% (difícil dar um percentual), dei partida à segunda etapa da corrida - a volta. E lá estava eu correndo já à noite, pouquíssima iluminação, não enxergava muito bem o chão (se tinha algum coração negro para pisar ou buraco ou falha em que eu pudesse tropeçar).

E lá estava eu correndo para voltar em casa logo, lavar os pratos, cozinhar inhame, cuidar dos gatos...

Estava um pouco mais confiante na volta, apesar da falta de iluminação e também de me sentir uma obesa. Explico: minha perna parecia pesar cem quilos. Foi difícil, mas chegamos bem. Fiz mais 2,6km. Sobrevivemos.

Agora só Deus sabe quando é que vamos poder correr novamente ao ar livre.

Torcer para que acabe logo esse corona porque já estou com saudades.

Rumo aos 10km:
goal 1 - 5km ininterrúptos;
goal 2 - 10km com 2 paradas, no máximo;
goal 3 - 10km ininterrúptos.

Por enquanto é isso.

quinta-feira, 19 de março de 2020

1ª corrida de 2020

2,4 km

7 de fevereiro foi a primeira corrida de 2020 depois de meses sem correr.

Não que o problema do joelho tenha sido resolvido, mas ao menos controlado. Não tem como resolver, mas também não é o fim do mundo. Quando o médico recebeu o resultado da minha ressonância magnética e começou a me explicar o diagnóstico, eu fiquei bastante preocupada porque correr é uma das coisas que eu mais gosto de fazer.

Foi tempestade em copo d'água. E mesmo que fosse grave, não era o fim do mundo. Eu estaria sendo muito ingrata com o universo.

Nada que musculação e alongamentos não resolvam.

E agradeço muito ao ortopedista por ser honesto ao não me sugerir a cirurgia. A fisioterapia funcionou muito bem e agora é só me exercitar sempre para fortalecer os músculos, alongar e usar o tênis recomendado.

Fiz uma boa corrida, sem dores, feliz da vida.

[sobre a corrida que eu descobri o problema no joelho]

Logo após estarei postando sobre a segunda corrida, em tempos de quarentena.