segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Corrida - de volta à orla


 Às vezes esqueço de escrever sobre as corridas. Eu estava indo muito bem, treinando na esteira e melhorando com o objetivo de correr com mais frequência na orla e aumentar a distância. Inclusive, consegui fazer 10km na esteira. Mas o meu gato ficou muito doente e passei três semanas sem nenhum treino. Ele acabou falecendo no início da terceira semana de internação.

Mas ainda de luto (não sei se existe algum momento em que superamos uma perda), voltei a treinar e praticar na esteira. Depois fui pra uma corrida na orla e me surpreendi com o resultado. Fazia tempo que eu não corria no solo e sempre é mais desafiador. Ainda mais porque estava ventando muito forte. O dia estava nublado. Eu esperei uma chuva passar, analisei as nuvens e a direção do vento antes de decidir sair pra correr. Não queria me arriscar a pegar chuva durante a corrida.

Eu pensei em escolher uma outra playlist para ouvir mas acabei colocando o de sempre: Rebirth - Angra. Ou esse ou o Dirt do Alice in Chains. Isso tudo por preguiça de atualizar o iPod. Confesso que tenho sempre certa dificuldade em utilizar o iTunes. Eu queria mesmo era um mp3 mas não achei um bom até hoje - inclusive nem se vende mais. Sou old school mas nasci em 93.

Gostaria de escrever mais mas a minha vida está caótica de afazeres. Se fosse trabalho com alguma remuneração… mas estou estudando e trabalhando nos meus projetos. Quero finalizar os projetos em andamento para não acumular tanta coisa para o próximo ano.

Meu objetivo de correr 10km foi alcançado, mas sigo com esse objetivo de repetir essa mesma distância e fazer um trajeto de Olinda p/ o Recife Antigo. Mas preciso comprar um tênis novo! Vou aguardar a próxima black friday. Meu tênis uso há anos e está acabado!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Corridas de 2022

 

Eu só percebi que eu não escrevi sobre as minhas corridas quando fui responder um reddit.

Ano passado, em 2022, comecei a usar o reddit para entrar em fóruns do meu interesse: corrida, gaita, encadernação e etc. E na virada desse ano de 2023, uma pessoa sugeriu formar um grupo no Strava para compartilhar as corridas de rua.

Acho muito legal essa ideia, sendo que eu não utilizo Strava ou quaisquer apps de corrida. Eu não levo o meu celular para correr e também não levo meu celular pra ir a academia - por motivos diferentes.

Eu fiz muitas corridas desde a última atualização aqui no blog, e, como podem ver, eu printei a distância utilizando o google maps. Eu registro as referências enquanto estou correndo para conseguir fazer a minha rota quando eu chego em casa.

Alguns desses prints eu compartilhei no stories do instagram, mas cada vez mais estou usando menos as redes sociais. E algumas eu escrevi no meu journal.

Tive alguns perrengues ano passado: machuquei meu pé, quase desloquei o ombro (descobri que tenho frouxidão ligamentar) e meu joelho também doeu muito numa das corridas. Então eu fiquei de molho por duas vezes.


Escrevi o seguinte:

"Consegui correr 8km terça dia 9 de agosto, batendo o meu recorde. Muito feliz! E no mesmo dia fui treinar judô depois de um ano sem pisar no dojô. Muito feliz! Resultado: eu estava com um calo grande embaixo do pé e no treino ele estourou e ficou aberto, em carne viva. E domingo eu tenho um show pra ir - Edu Falaschi - Vera Cruz e Rebirth."

E eu lembro bem de como eu estava feliz nesse período. Eu já tinha ido no show do Angra que foi um sonho antigo realizado.

Calo - resolvi esse problema. Tive vários calos por causa das meias que eu usei. Depois disso, fui comprar uma meia apropriada na Centauro. E foi um par de meias bem em conta. Foi uns 30 ou 35 reais, não mais do que isso.

Os dois primeiros prints mostram o registro também da direção do vento porque isso é um fator que conta muito durante a corrida. À favor, não preciso comentar. Mas correr contra o vento não é fácil não. Exige um pouco mais de esforço, mais músculo e, consequentemente, é mais difícil.

O interessante desses prints é poder enxergar o meu progresso. Pensando bem, 2022 até que não foi um ano tão terrível assim.

Próximo: corridas mais recentes, as primeiras de 2023 e meu novo recorde!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Amor, fé e esperança - trecho do livro O Tambor

 Já vem! Já vem! Quem vem? O Menino Jesus, o Salvador? Ou era o celestial homem do gás, com o gasômetro fazendo tique-tique sob a braço? E ele disse: Eu sou o Salvador deste mundo, sem mim não podeis cozinhar. E aceitou o diálogo, ofereceu uma tarifa favorável, abriu os registrozinhos de gás recém-polidos e deixou sair o Espírito Santo, para que se pudesse assar a pomba. E distribuiu nozes e amêndoas que, ao se partirem ali mesmo, desprendiam também emanações: do Espírito e do gás, a fim de que os crédulos pudessem ver sem dificuldade, entre o ar espesso e azulado, em todos os empregados da companhia e à porta dos grandes armazéns, Papais Noéis e Meninos Jesus de todos os preços e tamanhos. E assim acreditavam na companhia de gás, sem a qual não há salvação possível, e que, com a pulsação ascendente e descendente dos gasômetros, simbolizava o destino e organizava a preços módicos um Advento que fazia crer a muitos crédulos que o Natal viria. Mas não sobreviveriam ao cansaço das festas senão aqueles que não haviam conseguido uma provisão de amêndoas e de nozes suficiente, embora todos tivessem achado que as havia de sobra.

Mas logo que a fé em Papai Noel se revelou fé no homem do gás, recorreram, sem respeitar a sequência da Epístola aos Coríntios, ao amor. Está escrito: Eu te amo, oh, sim, te amo! Amas a ti também? E, dize-me: Amas-me tu também, amas-me verdadeiramente? Eu também me amo. E de puro amor chamavam-se uns aos outros de rabanetes, amavam os rabanetes, mordiscavam-se e, de puro amor, um rabanete mordia o rabanete do outro. E contavam uns aos outros exemplos de maravilhosos amores celestiais, embora também terrenos, entre rabanetes, e pouco antes de morder sussurravam-se mutuamente, alegre, famélica e categoricamente: Dize-me, rabanete: tu me amas? Eu também me amo.

Mas, depois que por puro amor tinham arrancado a mordidas os rabanetes e a crença no homem do gás tinha se convertido em religião do Estado, já não restava no armazém, após a fé e o amor, que já tinham tido sua vez, senão o terceiro artigo invendável da Epístola aos Coríntios: a esperança. E enquanto continuavam a roer os rabanetes, as nozes e as amêndoas, esperavam que aquilo terminasse logo, para poder recomeçar a esperar ou para continuar esperando, depois da música final ou então durante a música final que logo acabaria de se acabar. Ainda não sabiam bem o que ia acabar. Esperavam apenas que acabasse logo, que acabasse amanhã, tomara que hoje ainda não, pois que seria deles se aquilo acabasse de repente? E quando aquilo se acabou de verdade, começaram em seguida a fazer do final um novo princípio cheio de esperança, porque, cá entre nós, o final é sempre um princípio, e há esperanças e todo final, mesmo no mais definitivo dos finais. Assim está escrito. Enquanto o homem esperar, voltará sempre a começar a esperar o final cheio de esperanças.

Eu, contudo, não sei. Não sei, por exemplo, quem se esconde hoje em dia sob as barbas do Papai Noel, não sei o que o Diabo leva em seu alforje, não sei como se abrem e fecham as chaves do gás; pois volta a se difundir um ar de Advento, ou continua se difundindo ainda, não sei, talvez a título de ensaio não sei para quem estarão ensaiando, não sei se posso crer, oxalá possa, que limpem com amor as chaves do gás para que cantem não sei em que manhã, não sei em que tarde, não sei se as horas do dia têm algo a ver com isso; porque o amor não tem hora, e a esperança não tem fim, e a Fé não tem limites; só o saber e a ignorância estão ligadas ao espaço e ao tempo, e terminam a maioria das vezes a repetir: eu não sei, oh, não sei, por exemplo, com que eles enchem as tripas, que intestinos são necessários para preenchê-las, não sei com quê, por mais legíveis que sejam os preços do recheio, fino ou grosseiro; não sei o que está compreendido no preço, não sei com que recheiam os dicionários, assim como as tripas; não sei de quem é a carne nem de quem é a linguagem: as palavras significam, os açougueiros calam, eu corto vidros, você abre os livros, eu leio aquilo de que gosto, você não sabe do que gosta: fatias de lingüiça e citações de tripas e livros - e nunca chegaremos a saber quem teve de calar, quem teve de emudecer para que as tripas pudessem se encher e os livros pudessem falar, livros embutidos, apertados, de letra miúda, não sei, mas suspeito: são os mesmos açougueiros que enchem os dicionários e as tripas com linguagem e com lingüiça; não há nenhum Paulo, o homem se chamava Saulo, e, como Saulo, falou à gente de Corinto de algumas lingüiça prodigiosas, que chamou de fé, esperança e amor, e elogiou-as dizendo que eram de fácil digestão, e ainda hoje, sob algumas das formas sempre mutantes de Saulo, tenta impingi-las a nós.

Quanto a mim, arrebataram-me o vendedor de brinquedos e, com ele, quiseram eliminar do mundo os brinquedos.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tocava trompete maravilhosamente.

Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e vendia tambores de lata esmaltados de vermelho e branco.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tinha quatro gatos, um dos quais se chamava Bismarck.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e dependia do vendedor de brinquedos.

Era uma vez um músico que se chamava Laubschad e era membro da Sociedade Protetora dos Animais.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e ao qual arrebataram o seu vendedor de brinquedos.

Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e levou consigo todos os brinquedos do mundo.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e, se não está morto, continua vivendo hoje e tocando maravilhosamente o seu trompete.

178-180

[link de todos os trechos do livro]

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Corrida com arco-íris mas o joelho...

3,5km
14 de outubro de 2020

Geralmente eu escrevo aqui sobre como foi no mesmo dia da corrida.

Mas foi um pouco triste quando senti o meu joelho, por algumas vezes, interrompendo abruptamente a corrida sem mesmo conseguir diminuir a velocidade para não me machucar. Mas eu já tinha me machucado. E não foi por causa da corrida.

Um dia antes, eu estava fazendo funcional em casa e foi em um dos exercícios que eu me desequilibrei e forcei o joelho. Deadlift ou peso morto - aliás, um exercício muito bom. Doeu na hora, escutei algo parecido com uma maçã sendo abocanhada e senti meu joelho como se fosse uma maçã podre. 

Mas depois tudo normal. Continuei meus exercícios e tudo certo. A dor tinha passado. Pensei que não teria sido nada demais.

No dia seguinte eu fui correr. E o dia estava incrivelmente bonito. Havia chovido e o céu estava tão limpo que era de um azul vívido e ar puro. Ainda com algumas nuvens carregadas e um belo de um arco-íris no horizonte. Eu encarei aquele arco-íris até praticamente desaparecer. E eu pensei que o dia seria perfeito a partir dali.

Parei de repente a poucos metros com uma dor aguda no joelho direito. Alguém gritou "não pára de repente não", ou algo do tipo. Realmente, se eu pudesse eu não teria sequer parado. Mas a dor foi tamanha que não tive como escolher parar diminuindo a marcha. 

Dei uma alongada e voltei a correr. Mas a dor continuava. Eu insisti para continuar e fui em frente até onde eu teria ido na última corrida. E cheguei lá com muito esforço, muita dor e resistência. Parei de novo por causa da dor e alonguei novamente. Tentei voltar correndo e não consegui. Voltei quase não conseguindo caminhar. A dor não me deixava. E meus olhos se encheram de lágrimas, mas pensei: "não é o fim do mundo, ninguém morreu, tenha dó, é só uma dor".

Voltei triste. Eu poderia ter me superado. No dia seguinte, já também não sentia mais dor. Dei uns dias de descanso e fui correr novamente mas doeu da mesma forma, só que não dava mais pra continuar assim. Estou parada, com saudade de correr e de ortopedista marcado. Provavelmente farei uma ressonância magnética e fisioterapia.

Trilha:
Elvis Presley