segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

E Não Sobrou Nenhum - Agatha Christie

"Em meio à vida já a morte nos envolve"

Esse livro é simplesmente incrível.

Dez pessoas embarcam em um mesmo trem com o mesmo destino, mas não se conhecem. Todos receberam uma carta de "amigos" ou do "proprietário" para trabalharem ou passar um tempo em uma ilha chamada Ilha do Soldado.

Toda a mídia estava especulando sobre quem comprou a Ilha do Soldado, insinuando que foi alguma celebridade. Todos à bordo do trem estavam ansiosos sobre a Ilha do Soldado, principalmente porque estava em todos os jornais.

Todos também tinham algo em comum: já tinham cometido algum crime (menos um).

Eu não queria falar muito daqui em diante, porque pode estragar quaisquer surpresas. Mas indico fortíssimo a leitura. É muito instigante.

Existe dois ou mais filmes baseados nessa obra de Agatha Christie, mas não assisti ainda para recomendar ou não. 

Leia. E se você gostou, procure as obras cinematográficas também.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Hamlet - Shakespeare



Shakespeare é sempre incrível.

Quase todo mundo conhece aquela famosa frase "ser ou não ser, eis a questão" mas nem todos conhecem a obra.

Hamlet é o príncipe da Dinamarca que está de luto pela morte do pai, o rei.
A peça começa na esplanada do castelo com oficiais e soldados fazendo a guarda. E eles começam a comentar sobre o fantasma que aparece de vez em quando. Eles percebem que é o fantasma do rei, pai de Hamlet; e chamam Horácio, amigo de Hamlet para ver também a aparição.

Depois que Horácio conta ao seu amigo sobre a aparição do rei, Hamlet vai atrás saber se é mesmo o fantasma do pai ou não.

"Foge de entrar em briga; mas, brigando, acaso, faze o competidor temer-te sempre" 
Polônio

O fantasma revela que sua morte não foi acidente, e sim um assassinato. Seu próprio irmão Cláudio o matou enquanto dormia e casou-se com a rainha para ficar com o trono. Dessa forma, Hamlet tem a ideia de chamar atores para encenar a morte do rei para ver a reação do tio e da mãe (rei e rainha).


É dessa forma que ele descobre a verdade sobre a morte do rei da Dinamarca.

"Para a alma criminosa e feperjura, tudo anuncia alguma desventura. Tanto se agita o crime, em tal
enredo, que a si mesmo se trai, de puro medo"

Hamlet reflete sobre o fardo da vida, a existência e suicídio. É daí que sai a passagem:


Com "ser ou não ser, eis a questão", ele quer dizer "é melhor viver ou morrer?".

O rei e a rainha julgam a loucura de Hamlet e chamam dois amigos dele para levá-lo à França. Dessa forma, Hamlet finge estar louco e consegue armar para os dois amigos e não embarca com eles no navio com destino à França.

Hamlet descobre então a traição do tio e da mãe e também a lealdade do seu amigo Horácio, de ficar sempre ao seu lado.
A reação de Hamlet ao descobrir a traição da rainha é analisada por críticos como mente inconsciente. Hamlet mata sem querer Polônio, pai de Ofélia, achando se tratar de seu tio escondido no guarda-roupa da rainha. Eu achei a reação de Hamlet, perante a morte de Polônio, muito fria, quase como se ele estivesse entorpecido pela situação.

Uma das passagens que eu mais gosto, é o diálogo entre Hamlet e o coveiro. É nesta passagem que ele pega na caveira. A caveira de Yorick, "bobo do rei", de quem Hamlet conheceu em sua infância.

O coveiro, pra mim, é um dos melhores personagens da obra. Hamlet quando vê o coveiro jogar um crânio: "Tempo houve em que aquele crânio teve língua e podia cantar; agora, esse velhaco o atira ao solo, como se se tratasse da mandíbula de Caim, o primeiro homicida"
O coveiro está cavando a tumba de Ofélia, da qual morreu em delírio pela morte do pai Polônio. E Hamlet não sabe ainda da morte de sua amada. E tem o seguinte diálogo com o coveiro:





Após clamar pela vingança de seu pai Polônio, Laertes toma conhecimento por Cláudio, o rei, que Hamlet havia matado o seu pai. E aí o duelo é marcado. Mas o rei e Laertes tramam um "bote" pra matar Hamlet, banhando a faca de veneno. 



Mas, durante a batalha, a rainha bebe a taça que contem o veneno. Laertes fere Hamlet. E durante a luta, trocam-se as armas, e Hamlet acerta Laertes. Sua mãe desmaia e revela que tomou veneno. Enquanto Laertes morre, revela que o rei é o culpado. E dessa forma, Hamlet fere o rei e o obriga a tomar o veneno. O rei morre. Pouco depois Hamlet também jaz morto. 

"conhecermos bem uma pessoa, é conhecermos a nós mesmos"
Hamlet

Ofélia se distrai com sua dor.
Obra: A misteriosa morte de Ofélia (Detalhe de Millais, 1852)
Abre-se um tema religioso quando os coveiros discutem se ela merece enterro cristão por ter se suicidado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

a secreta carta das gotas d'água aos humanos

"Quando nos enxergarem grudados nas vidraças, saibam que aí estamos"



O livro é isso mesmo, a secreta carta das gotas d'água aos humanos. Os Aquatérris e as Aquaterrálias, como são chamados as gotas, "narram" a carta "através" de José Sander.

A carta aborda principalmente questões ambientais como água, energia renovável, saneamento básico, poluição, rios, dejetos nos mares, camada de ozônio, reciclagem e também questões como drogas, família, comportamento humano, doação de órgãos e avanços na medicina.

Mas a questão mais abordada neste livro é um projeto chamado Programa 36 que consiste no plantio de mudas. Como é esse projeto? Cada pessoa ativa entre oito e noventa anos, plantaria, por dia, 36 árvores. "...uma caixinha de sarrafo, retangular, ou ainda um recipiente plástico onde caibam os 36 saquinhos de terra bem umidificada contendo cada um dos 36 assim agrupados uma ou duas sementes de árvores, no ponto genético de fertilidade". E dessa forma elas seriam transportadas para viveiros e escolas.

"O mesmo se fará mas calçadas projetadas e existentes em todos os países do globo terrestre, nas matas enfraquecidas e moribundas e nas regiões de mata rala e - com espécies adequadas, que, aliás, existem - em todos os desertos e áreas adequadas, que aliás, existem - em todos os desertos e áreas degradadas que são de vosso inteiro conhecimento e consciência. [...] E, dentro de dois anos, a partir do primeiro dia, a contribuição sob forma de trabalho individual agregará 730 vezes 36, ou seja, 26.280 novas árvores no planeta tão necessitado. Ou mais".

Foi uma experiência completamente diferente pra mim ler um livro sob o ponto de vista das gotas. Não me convenceu. Mas o livro é importante. Como uma defensora da natureza, muitos assuntos era de meu interesse e do meu conhecimento. O livro e didático e poderia ser incluído nas escolas no ensino fundamental. A linguagem dele é simples e direta, apesar de fugir às vezes do foco.

*esse livro foi lido durante o #TorneioMLV para o desafio 4 (capa feia)*

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

trecho de Hamlet - Shakespeare (sobre a dramaturgia)

Eu acho essa uma das melhores partes da obra de Shakespeare. Acontece no ato 3 da obra Hamlet quando o personagem orienta os atores sobre a dramaturgia:

perfil do dono do gif


Cena II

Entram Hamlet e alguns atores.

HAMLET: Tem a bondade de dizer aquele trecho do jeito que eu ensinei, com naturalidade. Se encheres a boca, como costumam fazer muitos dos nossos atores, preferira ouvir os meus versos recitados pelo pregoeiro público. Não te ponhas a serrar o ar com as mãos, desta maneira; sê temperado nos gestos, porque até mesmo na torrente e na tempestade, direi melhor, no turbilhão das paixões, é de mister moderação para torná-las maleáveis. Oh! Dói-me até ao fundo da alma ver um latagão de cabeleira reduzir a frangalhos uma paixão, a verdadeiros trapos, trovejar no ouvido dos assistentes, que, na maioria, só apreciam barulho e pantomima sem significado. Dá gana de açoitar o indivíduo que se põe a exagerar no papel de Termagante e que pretende ser mais Herodes do que ele próprio. Por favor, evita isso.

PRIMEIRO ATOR: Vossa Alteza pode ficar tranqüilo.

HAMLET: Também não é preciso ser mole demais; que a discrição te sirva de guia; acomoda o gesto à palavra e a palavra ao gesto, tendo sempre em mira não ultrapassar a modéstia da natureza, porque o exagero é contrário aos propósitos da representação, cuja finalidade sempre foi, e continuará sendo, como que apresentar o espelho à natureza, mostrar à virtude suas próprias feições, à ignomínia sua imagem e ao corpo e idade do tempo a impressão de sua forma. O exagero ou o descuido, no ato de representar, podem provocar riso aos ignorantes, mas causam enfado às pessoas judiciosas, cuja censura deve pesar mais em tua apreciação do que os aplausos de quantos enchem o teatro. Oh! já vi serem calorosamente elogiados atores que, para falar com certa irreverência, nem na voz, nem no porte mostravam nada de cristãos, ou de pagãos, ou de homens sequer, e que de tal forma rugiam e se pavoneavam, que eu ficava a imaginar terem sido eles criados por algum aprendiz da natureza, e pessimamente criados, tão abominável era a maneira por que imitavam a humanidade.

PRIMEIRO ATOR: Quero crer que entre nós tudo isso está bem modificado.

HAMLET: Faze uma reforma radical! Que os truões não digam mais do que o que lhes compete, pois há deles que vão a ponto de rir, somente para provocarem riso aos parvos, até mesmo em passagens com algo merecedor de atenção. É vergonhoso, sobre revelar ambição estúpida por parte de quem se vale de semelhante recurso. Vai aprontar-te.