segunda-feira, 14 de maio de 2018

Eu, minha mãe e as baratas


Eu não sou muito fã de assistir novelas, mas minha mãe e, muitas vezes meu pai também, sentam para acompanhar. Eu assisto raramente pra ter algum momento com minha mãe.

Fui ao teatro no dia do final da novela, mas ia reprisar no dia seguinte. Lá fui eu assistir. A um certo momento, já estava impaciente:

- O que vai acontecer depois disso? Não tou aguentando mais.

A verdade verdadeira é que eu queria estudar, fazer algo de útil. Ter o dia mais produtivo da semana.

- Que impaciência é essa? Tá com pressa para lavar os pratos é?

Bom, aí eu caí na gargalhada. Eu ter pressa de lavar pratos? Nunca!

Não foram exatamente com essas palavras. Na verdade foi mais engraçado que isso. Mas é que minha memória é fraca e nunca consigo lembrar das palavras exatas. É por isso que, como jornalista, carrego um gravador de áudio.

A minha mãe não faz esforço nenhum pra ser engraçada. Ela pode ser insuportável às vezes, mas isso não se escreve no dia das mães. O negócio é que minha mãe já foi perseguida por uma barata. Isso mesmo. Enquanto ela corria desesperada, de braços pro alto, a barata corria atrás dela. Eu ficaria tão desesperada quanto. E realmente fiquei!

Uma vez eu estava fugindo de uma pisa da minha mãe. Corri a casa inteira, e ela com um cinto na mão, preparada pra me corrigir. O motivo, eu jamais vou lembrar. A questão é que eu estava fugindo da pisa e corri até o banheiro da área de serviço pra me esconder lá. Eu estava disposta a passar a noite até ela desistir de me dar uma surra. Mas infelizmente ela chegou antes de eu conseguir trancar a porta. Enquanto eu empurrava a porta para trancar, ela empurrava para abrir. A porta, meus amigos, não aguentou e simplesmente foi arrancada por inteiro. O desespero era tão grande, que encontrei forças onde não tinha. Fui “salva” por milhares de baratas que estavam por dentro da porta. Ninguém imaginava aquilo. Foi uma cena horripilante. Digna de filme de horror. Eu fiquei ainda mais desesperada. Meu coração batia ainda mais acelerado. Eu tenho horror à barata. Mas naquele dia eu não apanhei da minha mãe. Nesse dia, nós duas corremos juntas, unidas, fugindo das baratas. Nem ela sabia mais por quê ia me bater.

Sim, eu aprontava muito. Apanhei da minha mãe várias vezes. Estou viva. Não lembro exatamente dos motivos das pisas de havaianas, cinto e das suas próprias mãos, mas acho que deu resultado.

Feliz dia das mães.