sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Voz do Brasil de ninguém


O texto que você vai ler pode ser um pouco infantil mas é pertinente. Não tem como não sê-lo. Eu escrevi no ônibus em meu Kobo. Algumas coisas se perderam pois o meu raciocínio às vezes é muito rápido e eu não consigo acompanhá-lo escrevendo. Descobri que tem um limite de caracteres nessa ferramenta do Kobo e parei o texto no meio. Esse texto foi escrito no dia 13 de Maio de 2014. E só agora, em  Junho, a transcrevi. Então perdi parte do meu raciocínio.

"Estou aqui sentada no ônibus que nem Maria, João e o moço que está ao meu lado tentando cochilar. Vou explicar agora porque eu estou ouvindo música e escrevendo no meu Kobo e não ouvindo notícia na rádio para entender porque o ônibus está parado no trânsito há mais de uma hora.


 Primeiro preciso dizer que curso Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco e eu deveria me envergonhar de não ter lido jornais ultimamente. Posso dar a desculpa de que estou fazendo muitos trabalhos ao mesmo tempo e lendo bastante para estudar para as provas de final de semestre? Enfim.... 

Estou no trânsito há mais de uma hora. Se brincar passa de duas horas parada aqui no calor abafado de dentro do ônibus pois não tem ventilador (muito menos ar condicionado). Para completar está chovendo bastante lá fora, o que indica que todas as janelas estão fechadas. A demora é tanta que o motorista desligou o motor.

Como havia dito, não sei o que está havendo - acredito que seja greve e a classe trabalhadora está em peso em frente à prefeitura. Mas não sei e gostaria muito de saber. Ninguém no ônibus parece saber de algo também. Já faz um tempo que os jornais impressos perderam leitores... 


Liguei a rádio no meu celular para buscar alguma informação (e antes que me perguntem sim, eu uso fone de ouvido). Foi uma busca perdida atrás de alguma informação que pudesse justificar o meu atraso. Digo o porquê:  Há muito tempo todos os brasileiros são obrigados a ouvir a Voz do Brasil na rádio para estar por dentro de todas as ações do governo e ela fica bem horário em que estamos no carro, no ônibus, largando da faculdade, do trabalho. Ou seja, no trânsito, na transmissão do jogo e etc. 

Eu, como Maria, João e o moço ao meu lado continuamos sem saber o que está havendo na cidade. Tem horário mais inconveniente para saber assuntos do governo? Sem falar em que estamos vivendo uma decadência no jornalismo e a rádio está entre as mídias afetadas por essa decadência. E isso é assunto para outra pauta. 

A Voz do Brasil não tem mais sentido nesse horário. Todo mundo tem um celular com MP3 ou tem caixa de som no carro. Se ninguém quiser ouvir, não vai escutar. O governo poderia disponibilizar suas informações em seu site em um formato que a pessoa pudesse baixar e escutar em seu aparelho no celular, por exemplo. Não é o que se faz hoje em dia?"

O meu ponto de vista é muito prático. É claro que as pessoas devem estar informados sobre tudo o que está acontecendo na política, no governo. Mas elas não devem estar obrigadas a isso em um horário inconveniente. É preciso entender - minha sugestão seria uma frequência só de notícias do governo. E disponibilizá-las para que outras rádios interessadas em transmitir no horário que convém.


A Voz do Brasil é um programa estatal que tem uma hora de duração e começa às 19h. Está no ar há mais de 70 anos com notícias sobre os três poderes - Executivo, Judiciário e Legislativo - é o programa mais antigo do país. Ela foi criada durante o governo de Getúlio Vargas para que a população ficasse a favor de seu mandato. Foi "Programa Nacional" na época de Getúlio, depois "Hora do Brasil" na época de Médici e hoje tem o nome que tem. Ele é obrigatório por determinação do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT).

Não pelos mesmos motivos, mas existe uma campanha a favor da flexibilização do horário da Voz do Brasil. Veja aqui: http://www.avozqueeuqueroouvir.com.br/


https://twitter.com/avozdobrasil
http://conteudo.ebcservicos.com.br/streaming/avozdobrasil

+ pra quem ficou curioso com o que aconteceu naquele dia eu vos digo: foi o dia da greve dos policiais de Pernambuco. No dia seguinte houve uma onda de saques em supermercados, lojas de eletrodomésticos e shoppings. Nesse dia as escolas e universidades foram fechadas e trabalhadores ficaram ou voltaram para casa. Desde então o Exército está na rua.



Nenhum comentário: